Empreendendo na crise

Qualquer iniciativa empreendedora terá mais chance de sucesso se focar numa oportunidade. Uma oportunidade é mais do que uma boa ideia, porque também considera a demanda e os recursos necessários para viabiliza-la. As oportunidades podem derivar da ausência, da escassez ou da deficiência na oferta de determinado bem ou serviço. É importante que o empreendedor tenha isso em mente para não entregar um produto sem diferencial, seja em tempos de crise ou não. No caso de um momento como o atual, a diferença é que as variáveis macroeconômicas e as macrotendências mudam consideravelmente. O desemprego e a inflação aumentam na proporção inversa do PIB. Os consumidores começam a consumir menos itens supérfluos e a ser mais sensíveis a preço. Os hábitos de consumo das pessoas mudam. Exemplo: com o aumento do dólar, as pessoas reduzem as viagens internacionais e apostam mais no turismo local. Que oportunidades podem surgir daí?  Outro fenômeno que deriva da crise é a renovação dos players do mercado: antigas empresas quebram em função de novas condições adversas, as quais não estavam preparadas, e novas empresas são criadas por empreendedores fugindo do desemprego. É preciso considerar todas essas mudanças e identificar que oportunidades surgem desse novo arranjo do ambiente.

Portanto a chave para o sucesso em tempos de crise é identificar oportunidades – e uma boa opção é descobrir aquelas que emanam da crise -, planejar-se e possuir um diferencial competitivo. Analisar a demanda pelo produto a ser ofertado através de uma pesquisa de mercado e considerar a disponibilidade de recursos são partes integrantes do planejamento. Correr risco é inerente à atividade empreendedora. Planejamento é a saída para mitigar esse risco. Quão maior o risco, maior a importância do planejamento.

* Por João Paulo Andrade, analista da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae em Pernambuco

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