Arquitetos relatam os principais erros de decoração

Decoração é questão de gosto. “O maior erro é não ouvir as necessidades do cliente e tentar impor um estilo”, diz a arquiteta Jóia Bergamo. Logo, é preciso conciliar o desejo de quem mora na casa com os mandamentos básicos do design. Respeitar espaços, medidas e evitar excessos são alguns deles, segundo arquitetos. Mas isso nem sempre acontece. Veja, a seguir, os principais erros de decoração apontados por especialistas.

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Pouco espaço

Manter um bom espaço de circulação entre móveis e itens decorativos é fundamental em um projeto. A recomendação é que haja uma distância de 60 a 80 cm entre as peças, segundo a arquiteta Samia Testa.

Uma decoração equilibrada depende também da escolha de móveis com as medidas certas. Comprar sofás e mesas muito grandes é um dos erros, afirma a arquiteta Érica Salguero.

Outro problema é a altura das peças, que deve ser calculada para não gerar desconfortos. O assento, o braço e o encosto do sofá, por exemplo, devem ficar a cerca de 40 cm, 60 cm e 70 cm do chão, diz Adriana Helú, da Triplex Arquitetura. Já a mesa de jantar deve ficar cerca de 30 cm acima do assento da cadeira.

Cortina curta

Para janelas e portas que vão do teto ao chão, o tecido deve ficar rente ao piso ou com uma sobra de um ou dois centímetros na parte de baixo e no topo. “Estilo calça ‘pula brejo’ não fica elegante”, diz a arquiteta Samia Testa. Também é preciso deixar uma folga de 20 cm nos lados.

Para as persianas, a regra é quase a mesma. “Mas a barra não deve encostar no chão”, lembra a arquiteta Lilian Catharino.

No caso das janelas pequenas, Samia sugere que haja uma sobra de, no mínimo, 20 cm embaixo e em cima.

Quanto às cores da cortina, as neutras são as mais indicadas para não marcar tanto o ambiente, segundo a arquiteta.

Armário sem profundidade

É garantia de cabides tortos e roupas amassadas. A arquiteta Érica Salguero recomenda que haja um espaço mínimo de 60 cm entre a porta e o fundo do armário para que as peças fiquem bem acomodadas. “Se a pessoa tiver casacos e ternos, deixo uma profundidade maior”, diz.

Outro erro comum é comprar um guarda-roupa com divisões que não se adequam às necessidades da família, diz Salguero. Para não errar, a dica é olhar para o armário antigo e ver quais itens precisarão de mais ou menos espaço. “O problema é que, muitas vezes, as pessoas compram sem planejamento”, diz

Henrique Assale/Folhapress

Televisão alta ou baixa

A televisão da sala deve ficar a cerca de um metro do chão, enquanto no quarto o equipamento deve ser instalado um pouco acima, a uma altura de 1,30 m, segundo o arquiteto Lisandro Piloni.

“Se ficar muito embaixo, pode ser desconfortável, e o pé ainda pode atrapalhar a vista”, diz ele.

Também é preciso ficar atento quanto à distância entre o sofá e o aparelho, como observa a designer de interiores Milena Purchio, do escritório Barbara & Purchio.

Ela recomenda que haja um espaço de 1,8 m para televisões de 32 polegadas, 2,8 m para de 50 polegadas e 3,8 m para as de 71 polegadas.

Tapete no lugar errado

Parte do tapete (de 10 a 20 cm) deve ficar embaixo do sofá, explica a arquiteta Samia Testa. “Assim, o tecido fica sempre esticado e bonito. Se fica solto, embola com facilidade”, afirma.

E nada de comprar tapete do mesmo tamanho do móvel. Nas laterais, é preciso deixar uma sobra de aproximadamente 50 cm, segundo o arquiteto Lisandro Piloni.

Tapetes muito pequenos podem fazer com que o ambiente pareça menor. Para a arquiteta Lilian Catharino, a peça deve ser proporcional ao tamanho do espaço, acomodando em cima a maior quantidade de móveis e itens possível para dar uma sensação de amplitude

Flores artificiais

Usar réplicas de plantas e flores em vez das originais desvaloriza a decoração de um ambiente, na opinião da designer de interiores Naomi Abe. Para ela, os adornos só devem ser usados nos lugares em que as espécies não serão bem cuidadas.

Até porque vai na contramão da tendência de plantas e jardins dentro de casa, como lembra a designer de interiores Paola Ribeiro. “Com tantas espécies lindas no Brasil, é um pecado usar as falsas”, diz.

É preciso também tomar cuidado com vasos e plantas muito altos, principalmente em apartamentos com pé-direito baixo, observa a arquiteta Jóia Bergamo.

Excesso de adornos

Misturar poltronas, sofás, quadros e itens decorativos que não combinam entre si em um mesmo ambiente é um dos principais erros, segundo a arquiteta Adriana Helú, da Triplex Arquitetura. “As pessoas vão comprando as coisas sem pensar em como ficariam juntas”, diz. “O desafio é fazer uma composição harmoniosa com itens diferentes.”

Mas sem abusar do excesso de adornos, principalmente em áreas sociais como a sala, lembra a designer de interiores Milena Purchio, do escritório Barbara & Purchio. Coleções de objetos pessoais e enfeites com valor afetivo para moradores podem ficar no quarto e no escritório.

Tudo combinando

Decorar a casa com apenas um estilo e móveis parecidos deixa o lugar sem personalidade, de acordo com a designer de interiores Paola Ribeiro.

“O lugar deve ter seu DNA e sua história”, diz ela. “É importante misturar, para que não fique com cara de loja.” Ela sugere, por exemplo, a combinação de móveis antigos da família com peças novas.

A designer de interiores Naomi Abe também é a favor da mistura de estilos diferentes, especialmente do antigo com o contemporâneo. Para saber o que vai combinar, é fundamental saber as proporções e medidas do espaço

Muito espelho

Com imóveis cada vez menores, exagerar na quantidade de espelhos nos cômodos tem sido um erro comum, diz o arquiteto Felipe Rezende, da MNBR Arquitetos. “É um elemento importante, que dá sensação de amplitude, mas, quando mal colocado, pode enjoar”, afirma.

Ele sugere o uso de espelhos menores, instalados em pontos específicos –na entrada da casa, atrás das cadeiras da sala de jantar e dentro do armário do quarto, por exemplo.

Segundo ele, peças que ocupam a parede inteira deixam o ambiente “pesado”. Já modelos redondos, com estilo retrô, são a moda da vez. Fitas de led atrás do espelho também têm sido muito usadas.

Lustres demais

Lustres são parte importante da decoração. Mas sem exageros: para a arquiteta Jóia Bergamo, três pendentes são suficientes em um espaço. Ela sugere que sejam colocados na sala de jantar, no hall e no quarto.

Spots de luz e iluminação embutida são alternativas para os outros lugares. “O excesso de iluminação estraga um bom projeto”, afirma.

Outro problema é não levar em conta os demais componentes da decoração ao planejar a iluminação de um espaço. “Os acabamentos podem refletir pontos de luz e trazer desconforto visual”, diz a arquiteta Silvia Almeida, do escritório MIS Arquitetura.

Fonte: Folha de São Paulo

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